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Mensagem de Natal do Presidente do Grupo Desportivo (José Emídio)
ALPA, 11 de Dezembro de 2010 Camaradas Alpistas Aqui estamos nesta magnífica festa, neste fantástico ambiente, celebrando o Natal desta nossa grande família. Família grande e numerosa, nas pessoas e nos ideais, que jamais caberia em qualquer sala, em qualquer reunião ou plenário. De facto, a nossa família vai muito além destas portas, deste espaço. Para nós que aqui representamos simbolicamente essa dimensão una dum projecto múltiplo e perene, vivemos intensamente e emotivamente estes momentos que certamente ficarão gravados na nossa memória. Há dias uma nossa atleta solicitava a minha colaboração para a realização de um trabalho sobre a história do nosso Grupo. Tivemos uma conversa interessante, que julgo ter contribuído para o seu objectivo, onde reavivei memórias e tracei a linhas grossas momentos marcantes e, principalmente, princípios e valores que nos identificaram ao longo dos quase 50 anos de existência, desta imensa odisseia. A uma pergunta particular sobre qual o nosso património, respondi sem hesitar e com orgulho: As pessoas e a nossa memória colectiva! De facto, meus amigos, esse é o nosso maior património, o único com verdadeiro valor e significado. Esse significado encontra-se no âmago do da nossa missão: Formar Jovens, ajudando a construir melhores pessoas, que contribuam para um Mundo Melhor. São pois os valores humanistas que nos regem que marcam a nossa essência. Esta semana, fui contactado por um antigo aluno e praticante dos anos 70 que nos pedia ajuda para a montagem de um projecto de animação desportiva ao nível do andebol em 3 escolas promovida por uma Junta de Freguesia de Lisboa. Conversámos internamente, contactámos com os responsáveis do projecto, que têm vontade mas não know-how e capacidade de enquadramento, avaliámos as possibilidades, sugerimos abordagens e métodos, apresentámos soluções, e o projecto vai avançar. Dir-me-ão, e que importa isso. Ontem, falei com o antigo aluno que referi, dando-lhe conta destes desenvolvimentos. Manifestou-nos o seu mais grato reconhecimento, perguntou-me como era possível nos dias de hoje continuarmos a existir e a mantermos esta postura, referindo que se encontra à 3 meses a dinamizar uma associação local e as dificuldades são de toda a ordem, mas em especial aquelas que têm que ver com as pessoas, a sua entrega e disponibilidade às causas e a forma como participam. No final da conversa disponibilizou-se para nos apoiar e ajudar em tudo o que estiver ao seu alcance, nomeadamente ao nível das suas áreas profissionais, reiterando todo o seu agradecimento pela forma genuína como contribuímos para o arranque de algo. Estes exemplos levam-me a regressar às nossas origens. Imaginem que em 1964 3 jovens de 16/17 anos que participavam em equipas de andebol nos campeonatos da antiga Mocidade Portuguesa pensarão em inscrever uma equipa nos campeonatos federados. Dirigiram-se à Associação de Andebol de Lisboa, subiram uma escada escuro e saíram com uma luz no horizonte, com um acolhimento de estímulo e apoio. Estímulo e apoio que receberam também de forma inequívoca do Reitor do Liceu. E assim nasceu o nosso Grupo, de Jovens, feito por Jovens num espaço de Liberdade e Crescimento, que não existia na sociedade, num espaço de luta e conquista, de irreverência e criatividade que só a Juventude é capaz. Ao longo dos quase 50 anos de existência múltiplas gerações conviveram, viveram e cresceram neste espaço. Hoje vivemos momentos diferentes, onde as fronteiras não existem, num mundo global à distância de um clique. Um mundo onde a globalidade e competitividade parece trazer consigo a banalização dos valores e ideais, da ética e dos princípios, numa óptica individualista e onde os fins justificam os meios. Neste contexto são naturais muitas das dificuldades que hoje sentimos, mas também mais justificada e necessária a nossa luta e determinação por princípios e valores comuns. O modelo do nosso Grupo tem de se adaptar aos nossos dias, sem perder a referência e o horizonte que nos trouxe até aqui. A Formação de Jovens, criando condições de crescimento e afirmação, utilizando o andebol como meio, pela experiência e saber acumulado, constitui a nossa matriz genética que queremos afirmar. Jovens e Espírito Jovem, capaz de entender e integrar, de responsabilizar e delegar, de interpretar e colher dos recuos no processo ânimo e determinação para os avanços do futuro, constituem uma referência cultural muito própria que todos devemos promover. Será um Sonho? Será Utopia? Será certamente tudo isso, sendo certo que o Mundo só avança com Sonhos e Utopias que Homens Comuns não desistem de acreditar. E é de um Homem Comum, mas único que vos quero falar agora. Um Homem que nasceu connosco, cresceu, amadureceu e que bem pode representar um exemplo vivo da nossa matriz cultural. Conhecemo-nos à 34 anos, o andebol ligou-nos, a participação na vida do nosso Grupo teceu uma Amizade sólida, uma Cumplicidade sábia, uma Força indestrutível. A vida física já nos separou e nos reuniu. O que sempre subsistiu e se reforçou foram os elos de amizade e solidariedade sinceros e a admiração, onde cabe o aplauso e o elogio, a crítica e a aceitação de pontos de vista diferentes. Esse é o sentido de Amizade. Amizade que aqui destaco individualmente, mas que é extensiva, sei-o bem, a todos vós. Nos últimos anos, anos de grande turbulência e dificuldade a sua participação altruísta, o seu sentido colectivo e de responsabilidade, a sua tolerância, a sua coerência de princípios e de actuação, são certamente uma marca indelével de uma personalidade que muitos nos deu a todos sem a preocupação de receber algo em troca. Essa entrega e esse carácter são exemplo para todos, dos mais novos para que apreendam o que é um percurso de vida exemplar e reflictam tais ensinamentos no seu futuro, aos mais velhos para que o tenham sempre presente ajudando a nortear as suas acções. Este Homem Comum tem também uma vida profissional de mérito que muito o deve honrar, e já agora, a todos nós que com ele partilhamos esse sucesso. Destacado para um cargo internacional de relevo, estou certo e seguro que continuará, onde quer que esteja, a lutar por um Mundo Melhor. Na última Reunião de Direcção, referi que poderíamos olhar para este facto de duas formas: Com tristeza e preocupação pela perca de uma relação e participação diária, ou com a alegria e honra pelo êxito de um de nós. Obviamente que só esta última perspectiva se coaduna com os nossos valores, com os nossos princípios e reflectem a afirmação inequívoca do nosso sucesso colectivo. O Jorge Sequeira além do mais saberá estar sempre connosco, saibamos nós merecer a distinção da sua amizade. Que esta bonita Festa, que este ambiente inesquecível, se constitua como um enorme e envolvente abraço colectivo de Amizade. Não havendo homens providenciais, termino com um trecho de um poema de Bertold Brecht: Há Homens que lutam um dia e são bons. Há Homens que lutam muitos dias e são muito bons. Também os há que lutam toda a vida. Esses são os imprescindíveis Um Grande Abraço Camarada e Amigo Sequeira. Viva o Passos!!
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